domingo, 9 de setembro de 2012

                                 O que não é Gótico


Góticos, góticos... alguém já viu um de verdade? Muitos dizem saber o que eles são e como são, mas... na verdade são só ideias superficiais e estereótipos. Na mente dos seres viventes da caverna, góticos são emos que não querem se assumir, e dizem que gostam de morcegos, cemitérios e vampiros, mas no fundo são tão frescos quanto. Já na mente dos rockers e headbangers, são pessoas com personalidade introspectiva, obscura e com uma mentalidade bem evoluída. O fato é que os góticos conseguiram ser tão undergrounds que ninguém sabe nada sobre eles.

Baseado nisso, este autor pensou... “O que será que góticos ouvem? O Gothic Metal foi um estilo criado no Metal... e os góticos não foram uma tribo urbana criada no Rock como foram os hippies, punks, tr00s... Então, será que o Gothic Metal não é um gênero que nós criamos pensando que é gótico?”. Então este autor resolveu pesquisar e procurar informações sobre isso, com um objetivo: saber o que os góticos ouvem. Nesse artigo você confere os frutos que essas pesquisa deu.


Primeiras impressões
O primeiro passo que este autor tomou foi pensar no que as pessoas consideram como Metal Gótico. Entre conversas e discussões, este autor se impressionou com o resultado obtido: ninguém sabe exatamente o que o estilo é. Ele não tem um som característico e nem bandas definidas. Com isto este autor concluiu que o Metal Gótico é um “gênero de consideração”, ou seja, um gênero que as pessoas criam para definir as particularidades das bandas (resumindo, um rótulo). Por exemplo: o Poison é Glam Metal porque usa maquiagem, o Lynyrd Skynyrd é Southern Rock porque veio do sul dos Estados Unidos, P.O.D é Christian Metal porque tem letras cristãs, o Nile é Death Metal Técnico porque tem complexidade no instrumental além do barulho, e etc. Percebeu que cada uma dessas bandas já tem seus gêneros pré-definidos e que estes novos serviram apenas para caracterizá-los como únicos? Pois então, isso é o que este autor chama de gênero inútil. O mesmo acontece com todas as bandas que dizem ser Gothic Metal: Elis, Tristania, Sirenia, Epica, Lacuna Coil... todas essas são ou de Doom Metal ou de Metal Sinfônico.

Mas este autor pensou: “Mesmo assim, deve haver um denominador comum em todas estas bandas. E se elas já tem seus estilos, o Doom Metal e Symp Metal devem ter algo a ver com isso”. Não se dando por vencido, ele começou a pesquisar a história do Gothic Metal: quando surgiu, como foi formado, quais foram suas influências, suas ideias, quem são seus representantes e que impacto causou. Esses pontos são essenciais para saber de tudo sobre um gênero musical. Eis as origens dele abaixo:


História
Tudo começa pelo Doom Metal, um gênero do Heavy Metal conhecido por ser lento e melancólico, com tons graves e atmosfera obscura. Dentro da cena do Doom surgiu o gênero inútil Death Doom Metal, que não significa nada além de Doom Metal com cozinha pesada de Death Metal.

E dentro do Death Doom, houveram quatro bandas que inovaram o cenário na década de 90: a americana Type O Negative e as inglesas Paradise Lost, My Dying Bride e Anathema. Além de anteriormente influenciadas por bandas de 80 como Celtic Frost, Christian Death e Samhain, estas quatro também receberam influências do Gothic Rock (o som gótico verdadeiro), tornando-se a base do Gothic Metal mundial.

O Type O Negative – que já declarava querer ser chamada de gótica - lançou os discos “Slow, Deep and Hard” em 91 e “Bloody Kisses” em 93, formando a cena trevosa nos Estados Unidos junto com Christian Death, Shadow Project e Danzig. Apesar disso, os EUA não contribuiram muito para o surgimento de novas bandas trevosas. Quem contribuiu mesmo foi o chamado Trio Peaceville, formado pelos ingleses Paradise Lost, My Dying Bride e Anathema, todas empresariadas pela gravadora Peaceville Records. Especialistas dizem que foram estas quem fizeram a cena gótica, inclusive influenciando a chamada Segunda Onda do Gothic Metal, formada por: Tiamat, Moonspell, Theatre of Tragedy, Tristania, The Gathering, Amorphis, Crematory, entre outras.

Depois que as bandas de Gothic Metal já estavam formadas e todos estavam enganados conformados que as bandas de Doom Metal eram góticas, uma coisa estremeceu o cenário trevoso. Isso porque a banda Lacrimosa fazia Gothic Metal, Gothic Rock, Darkwave, Symphonic Metal, tudo ao mesmo tempo. E como ela era adorada tanto pelos “doomers” quanto pelos góticos verdadeiros, todos acharam que aquele som esquisito era gótico também. De repente os fãs acharam que Metal Sinfônico também era Gothic, e começavam a rotular todas as bandas sinfônicas que apareciam: After Forever, Nightwish, Trail of Tears, Within Temptation, toda sorte de bandas melódicas que tinham vocal feminino e sonoridade pesada. E a partir disso, todo o caos se instalou, e ninguém mais soube o que era Gothic Metal.

Resumo da ópera: o Gothic Metal era/é tanto Doom Metal quanto Sinfônico. E os desentendidos também atribuem esse rótulo à bandas Alternativas, Industriais e até de Black Metal da Terceira Geração como Cradle of Filth e Dimmu Borgir. Isso quer dizer que existem três tipos de Gothic Metal: o Doom Metal, o Symp Metal e o nome que podemos usar como bem quisermos.

Depois de ter sabido de toda a história desse gênero/rótulo, este autor pensou: “Tudo bem, tudo bem... essas bandas tem suas próprias vertentes, mas além dos bangers, os góticos também gostam do dito Gothic Metal?”


Gótico por gótico
Os góticos verdadeiros que tem ideologia, influências, cultura e “trilha sonora” próprias tem uma grande aversão pelo Metal Gótico, por duas razões: primeiro pelo Metal não ser um estilo gótico, e segundo por todos usarem o nome "gótico" de forma indevida, para rotular qualquer coisa que acham sombria e obscura. Até o Evanescence pode ser considerado gótico, mesmo sendo um enlatado da indústria. É mais ou menos a mesma reação que tiveram os vampiros de Bram Stoker quando viram os vampiros de Crepúsculo: “O QUE?!! Vocês são vampiros?! Que povo ignorante!! Não importa se dizem que vocês são, não interessa, vocês NUNCA SERÃO!!!1!”.

Os góticos também condenam as gravadoras que aproveitaram que ninguém sabia o que era Gothic Metal para empresariar bandas com esse rótulo. Como elas sabiam que muita gente estava interessada nesse mercado cadavérico, elas venderam suas bandas como tal. Os góticos também dizem que o Metal é muito comercial para ser considerado gótico, já que góticos são muito underground para pessoas conhecerem e entenderem.

O último argumento, apesar de extremista (e ter um apelo forte a continuar sendo desconhecido, privilégio de poucos e sectarizado), é um pouco verdadeiro, já que sabemos muito bem que muitas bandas Melódicas europeias não tem muita diferença entre sim, principalmente as novas. Todas seguem um padrão imutável que deixa o cenário totalmente saturado e desinteressante.

Mas enfim... já que os góticos não gostam de Gothic Metal, o que eles gostam então? Simples, de góticos de verdade. Eles gostam de Gothic Rock, que é a fusão de vários estilos do fim da década de 70 e começo da de 80. Esse gênero agrega bandas tão undergrounds que quase passaram aos olhos do mundo. O Gothic Rock é a fusão de Post-Punk (que este autor chama mesmo de Rock Alternativo), Darkwave (um New Wave "dark"), Glam Rock, e outras ramificações desses estilos.

Mas quais são essa bandas?!!! mas vai ser preciso para todos saberem o que é gótico de verdade. A banda mais famosa é o The Cure que todos conhecem porque passava na MTV... 

 

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